Depois de 4 anos de estagnação, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) acredita que 2019 começa “reunindo condicionantes favoráveis” à recuperação da construção.

Estudo da confederação (íntegra) avalia que o setor não apresentou sinais fortes de retomada desde a crise econômica, iniciada em 2015.

A visão, no entanto, é de que agora o cenário se mostra mais positivo e que devem contribuir para o processo de recuperação:

  • inflação sob controle – que “aumenta o poder de compra da população e a previsibilidade dos custos”. Hoje, analistas de mercado consultados pelo Banco Central acreditam que a inflação oficial do país, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ficará em cerca de 3,9% em 2019, abaixo do centro da meta do governo, de 4,25%;
  • juros em patamares baixos – que contribuem “para a oferta e a demanda de crédito de longo prazo”. Atualmente, a Selic encontra-se no menor patamar da série histórica, de 6,5% ao ano;
  • crédito para financiamento de imóveis de maior valor (inclusive com uso do FGTS) – que deve “estimular a construção civil”. No final do ano passado, o governo aprovou medida que aumentou para R$ 1,5 milhão o valor do imóvel que pode ser financiado por meio do SFH (Sistema Financeiro de Habitação).

Embora favoráveis, a responsável pelo estudo, Dea Fioravante, afirma que esses fatores, sozinhos, são insuficientes para trazer crescimento robusto ao setor, que de 2012 a 2017 acumulou perda de 20,9% no PIB (Produto Interno Bruto).

O estímulo adicional, assim, pode vir da retomada de obras de infraestrutura por meio de uma das principais bandeiras do novo governo: a agenda de privatizações e concessões.

“Apesar do compromisso público do governo federal com medidas de austeridade fiscal, que limitam o investimento público, as concessões podem gerar um novo fôlego para o investimento em infraestrutura”, diz o estudo.

O cenário na construção

Segundo a CNI, o auge da construção no país se deu em 2010, quando o PIB cresceu 13,1%. Naquele momento, as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o programa Minha Casa Minha Vida impulsionavam o setor.

Reuniram-se, então, fatores determinantes para o crescimento da construção nos 2 anos seguintes: financiamento de longo prazo a custo acessível, investimento público em infraestrutura e bom desempenho da economia interna.

“No entanto, o crescimento da economia não acompanhou o aumento dos incentivos e da oferta de crédito. A renda real não cresceu na mesma proporção e, a partir de 2012, as famílias já começavam a apresentar um elevado grau de endividamento que aumentou até 2015, chegando a 46% da renda, segundo dados do Banco Central”, diz o estudo.

Adicionalmente, as irregularidades apontadas na operação Lava Jato interromperam os investimentos nas obras do PAC e a crise econômica causou fortes restrições orçamentárias à União.

A mudança no cenário atingiu a construção. De abril de 2014 a dezembro de 2015, o emprego recuou 13,3 pontos e o nível de atividade, 12,1 pontos, segundo dados da CNI. “Os índices já estavam abaixo da linha divisória de 50 pontos, indicando que a atividade e o emprego estavam piores que o registrado no mês anterior”, diz o texto.

Após dezembro de 2016, a atividade e o emprego continuaram a apresentar quedas, porém a taxas menores. A partir de 2017, o setor começou a registrar 1 melhor desempenho, mas ainda muito abaixo do verificado no pré-crise.


Fonte: Por Mariana Ribeiro, Poder360

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