Uma das principais mudanças que irá impactar o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) das Construtoras refere-se ao modelo conceitual de abordagem de processo. Na versão anterior, as entradas e saídas de cada processo, e respectivas interfaces, eram determinadas e os meios e recursos para realização dos mesmos eram estabelecidos em procedimentos sob a ótica dos requisitos da organização e do cliente, que incluem normas técnicas e requisitos legais aplicáveis ao produto.

Nessa versão, baseada na norma ABNT NBR ISO 9001:2015, ao planejar o SGQ e seus processos a empresa, além de considerar essas exigências, deve também fazer também uma análise do contexto da organização, tanto interno como externo, e das necessidades e expectativas das partes interessadas pertinentes a ele. Assim, as fraquezas, vantagens competitivas, ameaças e oportunidades identificadas, bem como os requisitos das partes interessadas determinados, são analisadas segundo o conceito da mentalidade de risco, visando o estabelecimento de ações para abordá-las no âmbito de cada processo do SGQ. 

Ainda sobre o alinhamento do Regimento do SiAC do PBQP-H com a norma ISO 9001, agora todos os requisitos do programa possuem a mesma identificação e conceitos da ISO, incluindo também novas exigências, além das abordadas anteriormente, tais como: planejamento para alcançar os objetivos, controle de mudanças e conhecimento organizacional. Alguns requisitos também sofreram pequenos ajustes, como a análise crítica da direção, representante da direção, liderança, política da qualidade, competências, entre outros. A ação preventiva foi eliminada, sendo esse conceito tratado nas ações para abordar riscos e oportunidades.

Além desse alinhamento com a ISO 9001, também foram feitos outros pequenos ajustes no Programa com baixo impacto nas empresas já certificadas na última versão da norma (2017), tais como: revisão da Política da Qualidade (compromisso com sustentabilidade), qualificação dos fornecedores (formalidade e legalidade em atendimento à legislação vigente), PQO (requisitos de Segurança do Trabalho, diretrizes para o projeto de canteiro, destinação de efluentes e maior controle sobre manutenção de equipamentos de produção), informação para fornecedores externos (inclusão de laboratórios e locação de equipamentos), ajustes nos indicadores de sustentabilidade, abordagem das FAD e DATECs nos projetos e PQO (caso aplicável ao empreendimento) e dois novos serviços controlados (guarda-corpo e instalações de gás) e respectivos materiais críticos.

No Regimento Específico, foi incluída também uma terceira condição de excepcionalidade para o caso de auditorias sem existência de obras, referente à recertificação, e o Plano de Controle Tecnológico passa a ser exigido em todas as obras, não apenas nas obras de edificações.

Para minimizar os impactos dessa mudança, recomendo os seguintes passos:

1º passo: planejar a atualização do SGQ, de preferência com a ajuda de um consultor especializado no tema, abordando todas as atividades necessárias do projeto (estudo da norma, diagnóstico, reuniões para atualização do SGQ, implementação das mudanças, monitoramento, auditoria internas, retroalimentação do SGQ e certificação), responsáveis, prazos e recursos necessários.

2º passo: recomendo iniciar com um estudo bem detalhado do Regimento e realização do diagnóstico das práticas da empresa em relação a cada requisito, pois existem inúmeras oportunidades de simplificar procedimentos e controles, e ao conhecer boas práticas do mercado propostas pelo consultor para o atendimento de cada exigência, a empresa poderá obter enormes ganhos de produtividade e efetividade de seu SGQ.

3º passo: após o estudo da norma e diagnóstico, iniciar as reuniões de revisão dos procedimentos e controles do SGQ, com a participação dos gestores envolvidos, promovendo também a consulta e participação aos demais colaboradores relacionados a cada assunto.

4º passo: implementar as atualizações, por meio de treinamentos e outras ações de capacitação visando orientar os colaboradores sobre as mudanças no SGQ.

5º passo: monitorar se as novas rotinas foram implementadas com sucesso. Essa atividade tem um foco maior em esclarecer dúvidas, avaliar a eficácia dos treinamentos e demais ações e realizar ajustes no SGQ, caso necessário.

6º passo: verificar a eficácia do SGQ por meio de auditoria interna. Recomendo que seja conduzida por consultor especializado ou auditor devidamente capacitado e com experiência na norma ISO 9001, no Regimento do SiAC e na Norma de Desempenho.

7º passo: com base no relatório de auditoria interna, corrigir o SGQ por meio das ações corretivas e posteriormente realizar a reunião da análise crítica da Direção. Após a implementação das ações corretivas (caso necessário), a empresa poderá passar pelo processo de certificação neste novo Regimento.

Observei nos projetos de consultoria que conduzi nos últimos anos, em empresas que ajudei na atualização do SGQ e que foram certificados na norma ISO 9001:2015, a obtenção de excelentes resultados em seus negócios com a introdução da mentalidade de risco em seus Sistemas de Gestão, onde os gestores e colaboradores passaram a contribuir de forma mais proativa na introdução de melhorias em seus processos, na identificação de incertezas que podem impactar o resultado de seus trabalhos e na tomada de ações para mitigar e até eliminar esses riscos, tornando-os assim mais eficazes e produtivos. 

Por fim, destaco que o prazo para atualização do PBQP-H expira em alguns meses e é de extrema importância planejar essa mudança o quanto antes, e iniciar desde já a atualização do seu SGQ para que se tenha tempo hábil de implementar as mudanças e minimizar seus impactos na operação da empresa.

Espero que tenha gostado do artigo e que ele tenha contribuído para um maior entendimento sobre a atualização do PBQP-H e que ele o ajude a pôr em prática em sua empresa.

Agradeceria que compartilhasse esse artigo com seus contatos e siga-me no meu Linkedin para receber mais informações e publicações.

Se houver algum tema ou dúvida que gostaria que eu abordasse nos próximos artigos, peço à gentileza que me envie no e-mail: marco@mguerraengenharia.com.br.

Muito obrigado pela atenção e um grande abraço!

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Marco Guerra, Diretor da MGUERRA Engenharia, construiu sua carreira profissional, iniciada em 1997, dedicando-se a promover a melhoria dos resultados (financeiros, qualidade e sustentabilidade) e o controle dos riscos das empresas que atuava e, posteriormente, de seus clientes de consultoria (construtoras e incorporadoras). Engenheiro Civil e Mestre em Habitação na área de Tecnologia em Construção de Edifícios pelo IPT com especialização em Administração de Empresas e em Engenharia de Segurança do Trabalho. Auditor Lead Assessor nas normas ISO 9001, PBQP-H, QUALIHAB, ISO 14001, OHSAS 18001 e ISO 45001. Capacitação em Gerenciamento de Projeto, em Gestão de Riscos (ISO 31000) e na Norma de Desempenho (NBR 15575). Atuou por mais de 10 em grande empresa de consultoria, onde era responsável pelo desenvolvimento e atualizações de metodologias aplicadas nos projetos e pela coordenação e condução de projetos relacionadas à implantação, manutenção, melhoria, treinamentos, cursos e auditoria internas em Sistema de Gestão da Qualidade e Integrada (Qualidade, Ambiental, e Saúde e Segurança do Trabalho) e monitoramento e avaliações técnicas em Obras, tendo ajudado incorporadoras e construtoras de diversos portes e segmentos de atuação (mercado imobiliário, HIS, empreendimentos corporativos e obras industriais) a melhorarem seus resultados e a obter e manter certificações (PBQP-H, ISO 9001, ISO 14001, OHSAS 18001 entre outras) necessárias para o crescimento de seus negócios. Entre jul/2012 a Mai/2014 atuou como Gerente de Produção em Incorporadora, e de 1997 a 2006 atuou em atividades relacionadas ao gerenciamento de obras e na coordenação de SGQ. Professor convidado nos cursos de Mestrado Profissional do IPT e de pós-graduação de “Gerenciamento de Empreendimentos na Construção Civil” do Mackenzie. Coautor do livro “Sistema de Gestão Integrada (SGI) em construtoras de edifícios – Como planejar e implantar um SGI” (PINI, 2010), onde foram abordados conceitos e soluções práticas relacionadas à gestão da qualidade, da produtividade, ambiental, da saúde e segurança no trabalho, da responsabilidade social e da inovação. Coautor do 2º capítulo do Livro de Materiais de Construção Civil do IBRACON (3ª Ed., 2017), onde foi abordado o tema Qualidade e Desempenho na Construção de edificações habitacionais. Palestrante no Construtech 2011 – Seminário sobre “Orçamento, Coordenação de Projetos e Planejamento de Obras”, em evento sobre “Gestão Integrada na Construção” (CTE, 2009) e em Aula Magna do Mestrado Profissional do IPT (23/jan/18). Inscrito no CREA-SP e na Ordem dos Engenheiros de Portugal.

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