São diversos os materiais disponíveis no mercado para o revestimento de pisos e paredes. Diversos também são o desempenho do material instalado, os produtos e serviços necessários para a instalação e os custos do produto e da instalação. Muita coisa para levar em consideração na hora de escolher. Não bastasse, existe ainda uma grande variedade de materiais “fake”, que se assemelham visualmente a um produto, mas são produzidos com outro.

A madeira é a campeã de imitações. É muito desejada por sua beleza, mas, devido à necessidade de manutenção, é evitada por muitos. O mercado das imitações responde a essa demanda com uma infinidade de materiais com acabamento no padrão madeira: cerâmica, porcelanato, placa cimentícia, cimento estampado, vinílico, papel de parede, PVC, laminado melamínico e até mesmo materiais confeccionados com madeira processada tais como as folhas de madeira compostas.

Normalmente os motivos que justificam a utilização de um material “fake” é a menor espessura, maior resistência, menor custo e menos inconvenientes da obra, tais como barulho, poeira e tempo de instalação. Caso o material “fake” não ofereça vantagens como essas, recomenda-se a utilização do material real. Caso contrário, os “fakes” podem ser uma ótima opção. Mas nem sempre. Para ter um bom resultado final é importante observar alguns aspectos:

Textura: As fotografias e impressões em alta resolução permitem reproduções com bastante fidelidade, mas a textura pode colocar tudo a perder. Para utilizar “fakes” de madeira rústica é importante buscar materiais que consigam reproduzir a textura dos veios. Os porcelanatos, as placas cimentícias, e os laminados vinílicos e melamínico têm boas versões texturizadas. A textura é especialmente importante em superfícies que serão tocadas, seja com as mãos, seja com os pés descalços. Mesmo que não haja o contato físico, a textura é importante para gerar pequenas sombras que contribuem para a fidelidade da reprodução.

Brilho: É o mesmo caso da textura. Busque materiais que tenham o brilho compatível com a reprodução desejada. Uma cerâmica brilhosa reproduzindo uma madeira rústica, por exemplo, é desastroso.

Matriz da estampa: Materiais naturais como madeira e pedra são únicos. Cada peça tem um desenho de veios diferente. Reproduções de boa qualidade levam isso em consideração e possuem uma variedade de peças de modo que não haja uma repetição exaustiva da mesma imagem. Ao observar apenas uma peça no mostruário não conseguimos levar essa característica em consideração, mas ela é essencial para um resultado final satisfatório. Peça sempre para ver mais peças do mesmo produto para checar esse importante fator.

Formato: Parece bem obvio, mas está cheio de péssimos exemplos no mercado. A madeira natural disponível para pisos tem a forma de tacos ou tábuas corridas de no máximo 20 cm de largura. Placas cerâmicas quadradas de 60×60 cm são, portanto, péssimas escolhas.

Peças no formato de réguas com no máximo 20 cm de largura terão resultado final muito mais fiel à realidade dos assoalhos de madeira natural.

Mosaico: Existem diversas opções de reproduções que simulam um conjunto de peças menores, evitando o exemplo do formato inverossímil citado acima.

Nesse caso é importante observar a direção de instalação, que pode contribuir ou não para a fidelidade da reprodução. No exemplo a seguir, a instalação com variação da direção das peças disfarça a emenda ao longo das tábuas, melhorando muito o resultado.

Existem no mercado peças com limites irregulares, como a da ilustração a seguir, que podem ajudar muito. Mas fique de olho nas emendas entre as peças, que podem acabar colocando tudo a perder.

Emenda: Esse é o grande aliado ou o grande vilão para o uso de peças do tipo mosaicos. Para um bom resultado final é essencial que a emenda entre as peças tenha a mesma largura, profundidade e cor das emendas internas do mosaico. Cerâmicas e porcelanatos do tipo bold exigem juntas mais largas e mais fundas, enquanto as do tipo retificadas permitem juntas menores e sem profundidade.

Infelizmente existem no mercado muitas peças do tipo mosaico com as emendas internas incompatíveis com suas emendas externas, o que dá um resultado final péssimo. Fique atento, pois ao olhar apenas uma peça do mostruário não é possível visualizar essa questão. Na foto a seguir, a largura das juntas entre peças é compatível com a largura das juntas internas, mas a cor do rejunte não, o que compromete o resultado final.

Temperatura: Essa é a cereja do bolo. A reprodução pode estar perfeita em todos os demais quesitos, mas a temperatura do material pode entregar que é tudo mentira. É o caso das imitações de madeira, que é um material quente, utilizando cerâmica ou porcelanato, que é um material frio. Em pisos comerciais, em que o trânsito é feito de sapatos, isso não é um problema. Mas em ambientes residenciais, onde ficamos descalços, é importante ser levado em consideração.

O uso de “fakes” pode ser uma solução para sua demanda. Mas para um resultado satisfatório, é importante considerar as diversas questões aqui apresentadas, o que não é uma tarefa fácil. Portanto, das duas uma: ou evite-os, ou dedique-se aos detalhes para ter um final feliz.


Fonte: Pró-Reforma

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Arquiteta e Urbanista pela (FAU/UFRJ + Universidade do Porto). Mestre em Engenharia de Produção (COPPE/UFRJ). Doutoranda em Arquitetura (PROARQ/UFRJ) Criadora da Pró-Reforma (www.pro-reforma.com), ferramenta de apoio à tomada de decisão em projetos da CUG Consultoria, startup residente da Incubadora de empresas da COPPE/UFRJ. Professora substituta do Departamento de Projeto de Arquitetura do curso de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo UFRJ de 2016 a 2018, ministrando disciplinas de projeto de arquitetura, projeto executivo e projeto de interiores, além disciplina eletiva “relação teoria e prática”, com foco no custo das decisões arquitetônicas. Professora do programa de Educação Continuada do IAB/RJ – IAB Compartilha. Professora da plataforma de ensino a distância EstudeAE Profissional com experiência no desenvolvimento de projetos e no acompanhamento de obras de construção e reformas desde 2007, tendo ocupado o cargo de gerente de projetos na Mareines+Patalano Arquitetura, onde atuou de 2005 a 2013, tendo participação efetiva em todos os projetos desenvolvidos pelo escritório nesse período. Experiência na execução de obras de empreendimentos imobiliários de 2007 a 2009, com atuação no canteiro em todas as etapas de execução, desde as fundações até a entrega da obra. Vencedora do prêmio Arquiteto do Amanhã (IAB/RJ).

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