Nosso ciclo biológico está dividido entre o ciclo claro adaptado à luz solar durante o dia, e o ciclo escuro durante a noite, que é quando produzimos o hormônio da melatonina, liberado durante o sono com a função de regenerar o nossas células.

Nosso cérebro entende que estamos no ciclo claro através de fotorreceptores em nossos olhos. Temos um criptocromo adaptado à luz azul, que envia esta informação ao nosso organismo.

É bom lembrar que a maioria das lâmpadas de led é uma composição de um led azul com adição de fosforo para tornar a luz branca. Quanto mais branca a aparência da Luz do led, mais azul é produzido por esta fonte, que pode ser excessiva ao ser humano a ponto de suprimir a produção da melatonina.

A exposição regular a luz fria (branco acima de 3300K), especialmente após o pôr do sol, contribuirá para o agravamento de distúrbios no sono e um aumento de doenças como câncer e diabetes.

Temos células na retina responsáveis pela produção de melatonina, que regenera a retina durante a noite. Quando usamos luz artificial após o pôr do sol, precisamos tomar alguns cuidados porque algumas fontes reduzem a capacidade regeneradora e restauradora de nossos olhos, aumentando o risco de degeneração macular, uma das principais causas de cegueira.

O uso inadequado da luz pode exacerbar doenças crônicas de todos os tipos, promovendo disfunção mitocondrial e suprimindo a produção de energia em nossas células.

Toda luz, incluindo a das telas eletrônicas de tablets e smartfones, suprime a produção de melatonina, interrompendo assim o sono, o que também tem consequências prejudiciais para a saúde.

Vale saber que o espectro de luz que não afeta a produção da melatonina é o vermelho, portanto ao iluminar durante a noite, de preferencia a luz amarela, e quanto mais âmbar melhor, se for vermelha, melhor ainda.

Ao iluminar áreas externas, tente chegar ao espectro de 605 nanômetros (luz âmbar) para evitar a poluição luminosa e seus impactos nocivos aos seres humanos e a outras espécies.

Minha recomendação para iluminação nos ambientes internos é abaixo de 2700K, utilizando sempre a luz de maneira indireta, internacionalmente já existe a recomendação em 2200K.


Silvia Carneiro é arquiteta especialista em projetos de iluminação e pesquisadora sobre os impactos da luz artificial nos seres vivos.

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Silvia Maria Carneiro de Campos, natural de São Paulo, onde reside, atua no mercado de iluminação LED desde 2008, arquiteta especialista em iluminação LED, com Pós Graduação em Iluminação e Design de Interiores e Master em Arquitetura & Iluminação. É titular do escritório IRIS um olhar para o futuro, e atua como Consultora de Negócios, inteligência estratégica e Relacionamento à industrias de iluminação, oferecendo atendimento técnico aos arquitetos e especificadores luminotécnicos em Projetos com tecnologia LED e Projetos Luminotécnicos de diversos seguimentos. Também dá aulas de iluminação em cursos de Pós Graduação. Certificada em Acessibilidade pela SMPD-SP foi colaboradora no CB-40 comitê de acessibilidade na revisão da ABNT 9050/15 e do comitê CB-03 COBEI da ABNT, onde participou da revisão das normas ABNT 5101 (Iluminação Pública) e 5413 (Iluminação de ambientes de trabalho, atual ABNT ISO/CIE 8995-1). Atualmente é colaboradora do grupo de projetos luminotécnicos da Comissão de Estudo Especial Modelagem da Informação da Construção (BIM) – Grupo de Trabalho sobre Componentes BIM ABNT/CEE-134

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