Seaside highway

Pensar em impermeabilização na concepção do projeto garante maior durabilidade e qualidade das estruturas de viadutos e pontes

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Recentemente, ou seja, em outubro de 2017, mais uma importante revista de cobertura nacional publicou uma matéria intitulada “ Caindo aos pedaços” evidenciando as avarias nas estruturas de viadutos na cidade de São Paulo – SP, que colocariam pedestres e veículos em risco. O problema tem sua origem, entre outros fatores, na degradação do concreto armado, causada pela umidade, pelas intempéries e pela poluição. Daí a importância da impermeabilização desde a concepção e projeto de obras de arte, o que permite obter maior durabilidade em situações em que se exige grande resistência nas construções que sofrem os efeitos diretos da poluição e de intempéries.

Impermeabilizadas, as pontes e viadutos suportam por mais tempo as agressões e os danos causados por agentes nocivos às estruturas, evitando gastos excessivos de manutenção, oferecendo maior segurança aos usuários e favorecendo a sustentabilidade com a diminuição de resíduos gerados pelas recuperações estruturais.

É essencial prolongarmos a vida útil destas estruturas, pois toda e qualquer intervenção provoca caos no trânsito, risco de acidentes entre veículos e possibilidade no aumento de furtos e roubos.

A infiltração de água mais os poluentes, uma das principais causas da deterioração das estruturas viárias de concreto, provoca a oxidação das armaduras e enfraquece a estrutura de concreto. Levantamento recente realizado pelo Sinaenco, indica a necessidade de obras urgentes em 15 viadutos, o que representa 5% dos 270 viadutos e pontes na capital paulista.

Só estas 15 intervenções tem uma dotação orçamentária pelo poder municipal, de 8 milhões de reais.

E os outros 95% podem esperar até quando por uma intervenção?

Certamente isto não acontece só em São Paulo-SP.

E as capitais e grandes cidades que estão no litoral de todo o Brasil, acrescendo as mazelas já comentadas, o ambiente marítimo que pode acelerar o processo de corrosão das armaduras nas obras de arte?

 

Exemplo de sucesso

Atendendo ao tráfego ferroviário por décadas na região de Campinas (SP), o Viaduto Ferroban, situado sobre a rodovia Anhanguera, uma das mais movimentadas do Estado de São Paulo, precisou ser ampliado em 2009 para a construção de pistas marginais dos quilômetros 92 a 98 da via. A obra representou um desafio para os engenheiros responsáveis, uma vez que o tráfego de trens de carga sobre o viaduto e de veículos na rodovia não foi paralisado.

Um dos diferenciais da nova estrutura foi a impermeabilização de 937 m² do tabuleiro de concreto – correspondentes a 53 peças pré-moldadas de 30 toneladas cada e duas de 60 toneladas -, com aplicação de 1.122 m² de manta asfáltica tipo IV-B de 5 mm, atendendo a norma ABNT NBR 9952.

Em três paradas, duas de 12 horas e uma de 24 horas, foram impermeabilizados os pré-moldados e o viaduto foi substituído.

Isto é Engenharia de impermeabilização.

 

Impermeabilização de obras de arte

As obras realizadas para a ampliação do Viaduto Ferroban, resgatam o conceito de impermeabilização na concepção do projeto, solução que tinha sido abandonada desde 1975, quando foram publicadas normas pelo CB 22 – Comitê Brasileiro de Impermeabilização – e, por equívoco, entendeu-se que o concreto não exigiria este tipo de proteção.

A retomada deste conceito e a logística necessária para a conclusão da obra representaram um desafio, que foi superado com a quebra de um paradigma. Além disso, a aplicação dos produtos em duas paradas de 12 horas e uma de 24 horas, com tráfego de trens de carga sobre o viaduto e de veículos na Via Anhanguera, representou uma dificuldade maior, vencida com um produto adequado à necessidade.

A solução para evitar possíveis problemas futuros contou com a experiência de um profissional especializado em impermeabilização, na indicação, orientação na aplicação da manta mais adequada, na proteção e respectivos detalhes executivos.

A engenharia de impermeabilização pode e tem como resolver cada desafio em prolongar a vida útil de pontes e viadutos, que vamos enfrentar nos próximos anos. Podendo e devemos evitar o custo estimado de uma recuperação estrutural emergencial, que pode ser maior de 25 vezes que de um trabalho preventivo.

 

Normas a serem consultadas.

ABNT NBR 9575:2010 – Impermeabilização – Seleção e projeto

ABNT NBR 9574:2008 – Execução de impermeabilização

ABNT NBR 9952:2007 – Manta asfáltica para impermeabilização

ABNT NBR 16366:2015 – Qualificação de pessoas para a construção civil –     Perfil profissional do Impermeabilizador

NR 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção

 

Eng. Civil MSc Marcos Storte

Diretor técnico da A2S Engenharia e Perícias

marcos.storte@a2sconsultoria.com.br

www.a2s.consultoria.com.br

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Professor na pós-graduação lato-sensu, nos cursos de patologia nas obras civis e de patologia na Impermeabilização, desde 2006, em diversas cidades do Brasil. Autor do livro "Látex Estireno Butadieno - Aplicação em Concretos de Cimento e Polímeros" Atuante desde 1978, com o conhecimento construído em atividades técnicas na criação, desenvolvimento e normalização de produtos ao mercado e de gestão em consultoria na área de tecnologia de impermeabilização de edificações residenciais, comerciais, industriais e de saneamento, proteção às estruturas de concreto e atenuação ao ruído de impacto entre lajes, elaborando projetos, procedimentos executivos, treinamentos “in company”, fiscalização de obras, objetivando dirimir dúvidas e possibilitando a implantação dos conteúdos dos projetos e normalizações, sempre com o alto padrão de excelência. Palestrante com mais de 60 trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais com inúmeros artigos técnicos e matérias publicadas sobre proteção às estruturas, impermeabilização e isolação acústica, bem como atuante em comissões de estudo da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, CB 2 - Construção Civil; CB 22 – Impermeabilização e CB 90 – Qualificação de pessoas.

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