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Se você é um profissional que trabalha em obras no setor privado e se acha um “tocador de obras”, cuidado. Esse perfil estereotipado pode se tornar uma armadilha para você que está dentro ou fora do mercado de trabalho.O recado é para todos que trabalham em cargos que envolvam gestão em uma obra, e isso inclui supervisores, coordenadores e gerentes.Neste artigo irei mostrar baseado em minha experiência e percepção, o que há de errado em ser um tocador de obras, a posição do mercado sobre esse tipo de profissional e orientar você sobre o que fazer para mudar esse perfil antes que ele afunde sua carreira.

Uma empreiteira não sobrevive de fazer obras! Sobrevive de gerar dinheiro!

Há pelo menos uma década, as empresas de construção estão mergulhando em altos índices de improdutividade. E um dos motivos é a falta de um programa de gestão focada em resultados reais, o que consequentemente cria profissionais que também não são focados em resultados reais: os chamados “tocadores de obra”.

Se você é um daqueles que trabalha baseado em produção e não em produtividade, e nunca se interessou pelos custos de sua obra, então você é um “tocador de obra”. Ou seja, você trabalha focado em fazer a obra a qualquer custo, e não em fazer a obra dentro dos custos.

E isso é insustentável para qualquer empresa, pois a fórmula é simples: para dar resultado positivo, dar lucro, uma obra precisa ser executada dentro dos custos orçados.  Isso é resultado real.

Mas “tocar obras” foi e ainda é uma mentalidade de gestão, se podemos assim dizer, que acabou se enraizando na cultura da maioria das empreiteiras. O porquê delas terem permitido isso, fica a cargo de cada uma analisar. Na minha opinião, elas se acomodaram em uma época de vacas gordas, e o comodismo cega e gera resistência a mudanças.

Um choque de realidade

Mas nada melhor do que uma crise para abrir os olhos e instigar mudanças. E com o atual agravamento da situação econômica no nosso país, iniciou-se a época das vacas magras. Ocorreu uma redução significativa de novos projetos no setor industrial e como consequência a concorrência para ganhar novos contratos aumentou selvagemente entre as empreiteiras.

E só há uma saída para uma empresa se tornar competitiva nesse cenário: aumentar a produtividade e enxugar os custos. Ou seja, fazer mais com menos.

Você provavelmente já notou (ou ainda irá notar) o início de uma série de programas de melhoria de gestão e de produtividade em sua empresa, soando o mesmo discurso diariamente: “Precisamos mudar nossa forma de trabalhar. Precisamos melhorar nossa produtividade! Precisamos de pessoas que trabalhem com foco em resultados!”

Fazer mais com menos virou questão de sobrevivência, para as empreiteiras e para os profissionais. Esse é o recado que as empresas estão dando a VOCÊ se quiser continuar no mercado. E não é “tocando obra” que você vai conseguir fazer isso acontecer.

Mas o que eu devo fazer então?

  • Esteja disposto a mudar. Esse é o primeiro passo.
  • Entenda a demanda de sua empresa e do mercado de trabalho. As empresas estão cada vez mais buscando profissionais com perfis alinhados com controle de custos, produtividade, relacionamento com clientes e prospecção de novos negócios: os chamados profissionais com foco em resultados. Entenda que agir como um “tocador de obra”, ter anos de experiência e ser “peixe” de alguém “de cima” não vão mais garantir o espaço de ninguém em empresas sérias. Quanto mais breve você entender isso, menor vai ser o impacto em sua carreira. Esse é o segundo passo.
  • Identifique suas falhas gerenciais. É o terceiro e mais difícil passo porque tira você da sua zona de conforto, expõe suas fragilidades como profissional e te deixa vulnerável. Mas a intenção é essa pois vai criar em você um senso de urgência para corrigir essas falhas.
  • Adquira o conhecimento que falta e desenvolva as habilidades que faltam. Mas faça isso fora da sua empresa, para não se contaminar com os vícios Esse é o quarto passo. Com relação aos conhecimentos, não se assuste! Saiba que a preferência por profissionais com inglês fluente, pós-graduação e certificação PMP já são uma realidade nos processos seletivos para média e alta gerência de muitas empresas de construção.
  • Quinto e último passo: aprenda a manter foco no que realmente trará resultados positivos para a obra e para a empresa, e a manter o controle das variáveis que afetam esses resultados. E lembre-se sempre disso:

O que dá mais credibilidade a um profissional em uma obra é demonstrar, com certezas e números, que ele está no controle do que está fazendo, e que sabe para onde a obra está indo muito antes dela chegar no fim. 

Portanto, construa a credibilidade de alguém que realmente trás resultados reais para a empresa e para o mercado. Deixe para trás o “tocador de obras” que você era e se torne um verdadeiro gestor de obras. Sua carreira e as empreiteiras agradecem.

2 COMENTÁRIOS

  1. É verdade executar obras dentro do planejado é muito difícil .
    Existe um abismo .
    entre o que é vendido e o que é real.
    E as vezes gerenciar essa diferença pode separa o lucro do prejuízo.
    Com boa gestão é possível saber onde avançar , hora de para e o que corrigir, hora de renegociar e fazer tomadas de decisão.

  2. Excelente reflexão, Bruno. Concordo plenamente com seu artigo.
    Meus alguns anos de RH de uma construtora me mostraram quantos tocadores de obras existem por aí. Obra deixou de ser só obra há muito tempo. Obra é um negócio e como tal tem que ser gerenciado com cuidado e atenção aos detalhes. Atenção às pessoas principalmente, pois são o principal fator que faz a obra andar. Sucesso ou insucesso de um projeto passa necessariamente pela gestão de pessoas…

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