A Norma de Desempenho, NBR 15.575, chegou para modificar nossos conceitos de projeto e construção de nossas edificações. O ponto principal desta norma é que ela não é uma norma prescritiva, que fixa tipo e qualidade de materiais, espessuras mínimas, etc…

Ela fixa os parâmetros mínimos para o desempenho global da edificação, sem dizer como alcança-lo. Isto será de responsabilidade de toda a cadeia integrada, desde os projetistas, fornecedores de materiais, instaladores, mão de obra em geral até o engenheiro da obra e responsável pela construtora. Por exemplo: no conforto térmico para dias quentes ela simplesmente especifica que a temperatura interna do ambiente não poderá ser superior à temperatura externa. Como alcançar isso? É aí que entram os profissionais, especialmente arquitetos e engenheiros.

Parede de Concreto_reduzida

 

De uma maneira geral, ela divide as necessidades a serem atingidas em três tópicos: segurança, habitabilidade e sustentabilidade. Para as paredes de concreto, os principais referências são a Norma de projeto e execução, a NBR16055 e os relatórios dos ensaios de Furnas , consolidados por relatório da Escola Politécnica da USP.

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Assim como na alvenaria estrutural , o cumprimento de todos os itens da NBR 16055 já garante os requisitos estruturais, tensões e deformações, e também a vida útil mínima de 50 anos. Como a parede é um elemento estrutural, planejada e calculada, os ensaios mecânicos passam com ainda mais facilidade: corpo mole, corpo duro, arrancamentos e ações transmitidas por portas. Não se concebe uma vedação mais resistente que uma parede feita inteiramente de concreto estrutural.

Os demais itens têm que ser verificados levando em conta todo o conjunto do ambiente.

A segurança contra incêndio é verificada para atingirmos os requisitos de estabilidade , estanqueidade (para-chamas) e isolação térmica (corta-fogo). Uma parede de concreto com 10 cm de espessura, tem, segundo os ensaios realizados uma resistência ao fogo de 125 min, podendo ser classificada com T-120.

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A estanqueidade da parede de concreto é muito boa, mas devemos observar o conjunto com a esquadria. Ela pode ter vazamentos entre as lâminas e os trilhos ou também entre a esquadria e o concreto. Percebe-se que temos que buscar não só materiais de melhor qualidade mas também melhores técnicas construtivas de instalação. A estanqueidade deve ser verificada com a velocidade do vento especificada pela NBR 6123.

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Agora, dois pontos polêmicos: conforto térmico e conforto acústico. O conforto térmico deve ser atendido para as 8 zonas bioclimáticas definidas pela NBR 15220, desde a mais fria de altitude (Z1) até a quente e úmida (Z8).

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A transmitância térmica da parede de concreto leva à análise computacional do conjunto da edificação. Para isso precisamos definir com precisão todos os elementos envolvidos: espessura, revestimento e cor das paredes externas e internas, pé direito,  telhado, espessura de laje e todas as características das esquadrias: tamanho, sombreamento e ventilação.

Nos ensaios computacionais realizados com parede de 10 cm, observou-se que o sistema passa neste quesito na grande maioria de situações, a ponto da CEF dispensar o relatório em determinadas condições:

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O conforto acústico deve ser atingido em diferentes classes de ruído externo. Quanto mais barulhento for o exterior maior será o requisito para as paredes. Este valor varia também dependendo do tipo de ambiente, sendo mais rigoroso para os dormitórios que para as salas. Os resultados apresentados em diferentes ensaios mostram que precisamos ter bastante cuidado na especificação das paredes dos dormitórios, ficando as demais situações atendidas no nível inferior previsto na Norma de Desempenho.

Uma grande discussão, de todos os sistemas construtivos é o ruído de impacto na laje. Várias soluções são tentadas, desde o aumento da espessura da laje ou do contrapiso, até materiais de amortecimento acústico. O que se observa é que as lajes de ambientes pequenos, típicos das habitações de interesse social, não apresentam problema deste tipo de ruído, com as espessuras mínimas de laje normalmente utilizadas.

Para finalizar devemos atentar para um importante ponto da norma de desempenho. Para garantir a vida útil das unidades é necessário fazer a manutenção das mesmas. E essa manutenção é responsabilidade do usuário. É a primeira vez que uma norma coloca o próprio usuário como responsável por seu imóvel.

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Engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP em 1977 Pós graduação em Engenharia de Estruturas pela Poli-USP Ex-professor da Poli-USP em resistência dos materiais e concreto armado Ministrou matéria de Alvenaria Estrutural da UNICAMP em convênio com a ABCP Diretor da Wendler Projetos e Sistemas Estruturais, em Campinas Coordenador da Norma Brasileira de Paredes de Concreto-NBR16055 Integrante da comissão de revisão da Norma de Alvenaria NBR15961 Coordenador de Alvenaria Estrutural nas comunidades da construção de Campinas, Belo Horizonte, Brasília , Goiânia, São José dos Campos e Sorocaba Palestrante de alvenaria estrutural e paredes de concreto pela ABCP, Sinduscon’s e várias entidades