A Norma de Desempenho, NBR 15.575, chegou para modificar nossos conceitos de projeto e construção de nossas edificações. O ponto principal desta norma é que ela não é uma norma prescritiva, que fixa tipo e qualidade de materiais, espessuras mínimas, etc…

Ela fixa os parâmetros mínimos para o desempenho global da edificação, sem dizer como alcança-lo. Isto será de responsabilidade de toda a cadeia integrada, desde os projetistas, fornecedores de materiais, instaladores, mão de obra em geral até o engenheiro da obra e responsável pela construtora. Por exemplo : no conforto térmico para dias quentes ela simplesmente especifica que a temperatura interna do ambiente não poderá ser superior à temperatura externa. Como alcançar isso : aí entram os profissionais, especialmente arquitetos e engenheiros.

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De uma maneira geral, ela divide as necessidades a serem atingidas em : segurança, habitabilidade e sustentabilidade. Para as paredes de blocos de concreto, os principais elementos de referência são a Norma de projeto e construção, NBR15961, e o Manual de Desempenho- Alvenaria de blocos de concreto em sua segunda edição, realizado pela ABCP, Bloco Brasil e Sinaprocim.

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O cumprimento de todos os itens da NBR 15961 já garante os requisitos estruturais, tensões e deformações, e também a vida útil mínima de 50 anos. Como a parede é um elemento estrutural, planejada e calculada, os ensaios mecânicos passam com muita facilidade : corpo mole, corpo duro, arrancamentos e ações transmitidas por portas.

Os demais itens têm que ser verificados levando em conta todo o conjunto do ambiente.

A segurança contra incêndio vai depender também dos revestimento da parede para atingirmos os requisitos de estabilidade , estanqueidade ( para-chamas ) e isolação térmica ( corta-fogo ). Uma parede de blocos de concreto de 14 cm, revestida com argamassa cimentícia de 15 mm nas duas faces, tem, segundo os ensaios relatados no Manual, estabilidade por 120 min , estanqueidade por 120 min e isolação térmica por 107 min.

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A estanqueidade da alvenaria é muito boa, mas devemos observar o conjunto com a esquadria. Ela pode ter vazamentos entre as lâminas e os trilhos ou também entre a esquadria e a alvenaria. Percebe-se que temos que buscar não só materiais de melhor qualidade mas também melhores técnicas construtivas de instalação. A estanqueidade deve ser verificada com a velocidade do vento especificada pela NBR 6123.

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Agora, dois pontos polêmicos : conforto térmico e conforto acústico.

O conforto térmico deve ser atendido para as 8 zonas bioclimáticas definidas pela NBR 15220, desde a mais fria de altitude ( Z1 ) até a quente e úmida ( Z8 ). A transmitância térmica da parede de blocos de concreto leva à análise computacional do conjunto da edificação. Para isso precisamos definir com precisão todos os elementos envolvidos : espessura, revestimento e cor das paredes externas e internas ,pé direito, telhado , espessura de laje e todas as características das esquadrias: tamanho, sombreamento e ventilação.

No exemplo mostrado no Manual observa-se que as paredes de bloco de concreto têm um bom desempenho térmico, passando com condições mínimas ou médias, desde que se tenha sombreamento e/ou ventilação nas esquadrias.

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Engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP em 1977 Pós graduação em Engenharia de Estruturas pela Poli-USP Ex-professor da Poli-USP em resistência dos materiais e concreto armado Ministrou matéria de Alvenaria Estrutural da UNICAMP em convênio com a ABCP Diretor da Wendler Projetos e Sistemas Estruturais, em Campinas Coordenador da Norma Brasileira de Paredes de Concreto-NBR16055 Integrante da comissão de revisão da Norma de Alvenaria NBR15961 Coordenador de Alvenaria Estrutural nas comunidades da construção de Campinas, Belo Horizonte, Brasília , Goiânia, São José dos Campos e Sorocaba Palestrante de alvenaria estrutural e paredes de concreto pela ABCP, Sinduscon’s e várias entidades

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