A globalização da economia transforma o mercado onde, todos os dias, aparecem novos participantes, sejam parceiros, clientes ou competidores, com novos conceitos, métodos, tecnologias e produtos. Os processos são cada vez mais dinâmicos e a Engenharia Simultânea substitui gradativamente a Engenharia Serial, com reflexos na engenharia de custos a partir dos novos regimes contratuais, dos novos modelos de concessões e das novas estruturas organizacionais, mais rasas, bem como a formação de consórcios e pulverização de empresas.

A mensuração na Era do Conhecimento adquire novas formas, pela nova dinâmica proporcionada pela Tecnologia de Informação e Comunicações, porém a arquitetura de informação permanece.

O mercado está mudando rapidamente, cada vez mais complexo, exigindo que as companhias reduzam preços, acelerem operações e aumentem qualidade e inovem constantemente. A resposta das empresas passa por diversas transformações, do número de níveis hierárquicos, expansão lateral de responsabilidades com os profissionais executando tarefas e não funções e uma revisão constante de estratégias, táticas e processos operacionais.

O desenvolvimento de Tecnologias de Informação e Comunicações (TIC) estabelece um elo muito importante entre estratégias de negócios, processos de negócios e engenharia de produtos. A nova Ciência do Conhecimento reconhece que o conhecimento é construído, mantido a partir da informação e desenvolvido através de processos de comunicação e difusão de informações, adicionando-se as experiências pessoais de especialistas, conforme as equações abaixo:

informação = dados + contexto

conhecimento = informação + experiência

Quanto à Engenharia de Custos atual, temos que o preço de venda de um serviço de engenharia é formado pela soma dos seguintes itens:

Preço de venda = Mão de obra + Materiais + Equipamentos + Administração local + BDI

Mão de Obra

Quanto à mão de obra, que é um item de elevado custo e de importância estratégica, temos que considerar além da remuneração do profissional, as demais exigências da legislação, entre outros itens, citamos os seguintes:

Encargos Sociais;

Encargos Complementares (Transporte, alimentação, Normas de Procedimento – NP – do Ministério do Trabalho, seguro de vida e de mercado) e;

Alojamento, adicional de transferência, treinamento e participação nos resultados.

Atualmente estes custos para operários da construção civil atingem até 300% sobre a remuneração base do profissional.

Materiais

Quanto aos materiais, o desafio do prestador de serviço é maior tendo em vista o elevado risco envolvido, em razão da fixação do valor do insumo na proposta e na natural oscilação do mercado até a sua efetiva aquisição.

Ao se cotar determinado material, no momento da elaboração do orçamento, as propostas apresentadas envolvem riscos econômicos que não são reduzidos pelo tamanho da amostra, porém, exigem um tratamento cuidadoso para expurgar as distorções e adotar o preço mais adequado. Reduzindo desta maneira as eventuais necessidades da aplicação de pleitos para recondução do contrato ao seu equilíbrio econômico-financeiro, tendo em vista o prazo para sua aquisição.

Equipamentos

Quanto aos equipamentos, temos que analisar se os mesmos são próprios ou de terceiros.

Se de terceiros, devemos admitir a mesma situação comentada para os materiais. Quando próprios caberá à empresa avaliar o enorme investimento necessário e a necessidade de contratação de serviços continuamente onde esses sejam adequadamente aplicados. Em construção civil o custo dos equipamentos não costuma ser uma parcela expressiva.

Administração Local

O custo da administração local do contrato é bastante significativo principalmente pelo fator mão de obra e tudo que foi anteriormente citado. Evidentemente elevando o preço de venda. Deverá constar da planilha de quantidades. Envolve, entre outros itens, engenheiros, mestre de obra, pessoal de escritório, almoxarife e segurança patrimonial. Sem esquecer veículos de apoio, bens patrimoniais, as contas de água, luz e telefone e materiais de consumo.

BDI – Benefício e Despesas Indiretas

Enquanto o BDI – Benefício e Despesas Indiretas, quando aplicado à Construção Civil, tem metodologia de cálculo que envolve a margem de lucro das empresas, os tributos sobre a receita e variáveis definidas em percentuais, tais como, a Administração Central, os Seguros, a Garantia Contratual e o Custo Financeiro. O contratante deve, ainda, considerar a Margem de Risco ou de Erro.

Custos Indiretos = Administração Central + Custo Financeiro + Seguros + Garantia Contratual + Margem de Erro

A Administração Central sempre com tendência de alta em função da necessidade de investir em novas tecnologias, técnicas e prospectar negócios inovadores.

BDI = Lucro + Custos Indiretos

Sabendo que o BDI é inversamente proporcional ao valor do contrato e tem menor relação com o tipo de obra, das suas condições específicas, o prazo da obra, bem como diversos fatores intrínsecos de cada obra, não tem sentido definir um BDI médio, nem mesmo setorizado e sim, calcular o BDI contrato por contrato, no caso do prestador de serviços.

O contratante calculará o BDI de Referência (ou médio para as empresas que habitualmente participam de suas licitações) para cada faixa de valor de contrato.

A Administração Central, no caso do Contratante, deverá ser adotada após a elaboração de pesquisa junto às empresas executoras.

A Conformidade de Preços de um serviço garante para as partes envolvidas a aplicação da legislação brasileira pertinente, inclusive tributária, da boa técnica da Engenharia de Custos e o efetivo cumprimento do escopo do projeto.

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Engenheiro civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em engenharia civil pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Fundador e presidente do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (IBEC), desde 1999; e diretor do International Cost Engineering Council (ICEC) para as Américas, 2014-2018. Recebeu Certificado de Notório Saber (CRK) do IBEC Certificador, acreditado internacionalmente pelo ICEC. Foi anfitrião e realizador do 10th ICEC World Congress 2016 através do IBEC, quando recebeu o ICEC Certificate of Appreciation pelo Comitê Organizador do 10th ICEC. Na ocasião, recebeu também o New ICEC Accreditation Certificates (Certification Programs). Em sua carreira, foi responsável técnico de grandes empresas construtoras e consultoras. Em 2010, recebeu o Prêmio Internacional “ICEC AMERICAS AWARD 2010”, como Engenheiro de Custos, em Singapura. Em 2011, foi condecorado pela Marinha do Brasil. Em 2012, recebeu o Diploma do Mérito da Engenharia e da Agronomia pelo CREA-RJ e Honra ao Mérito pelo Corpo de Engenheiros da Marinha. Já em 2013, recebeu a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Em dezembro de 2017, recebeu honraria durante o 5th Annual Meeting AACE, no Rio de Janeiro. Autor de cinco livros técnicos, sendo quatro de autoria única: “Uma Metodologia de Orçamentação para Obras Civis”, “Preços de Serviços de Engenharia e Arquitetura Consultiva”,“Novo Conceito do BDI” e “Estimativa de Custos de Serviços de Engenharia – Engenharia de Custos – Uma Ciência”; e um em parceria com a FGV: “Gerenciamento de Custos em Projetos”. Possui mais de 40 anos de experiência em Construções, Transportes e Orçamentos de Obras e é palestrante internacional e nacional. É membro da AACEI (Association of Cost Engineers International) e da ABC (Associação Brasileira de Custos); e diretor da AFEA (Associação Fluminense de Engenheiros e Arquitetos). Recentemente, foi conselheiro do Clube de Engenharia.

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