Na construção civil novos avanços tecnológicos – aos moldes do que a Tesla provoca na indústria automobilística, vêm se aprofundando, impulsionados pela necessidade de redução de custos, pelo avanço e o barateamento de novas tecnologias e para se obter diferenciação frente a uma concorrência pulverizada. De modo análogo ao que ocorre com as montadoras, não são os grandes players tradicionais da construção que mais avançam ou obtêm inovação, mas outsiders (elementos fora da cadeia de construção convencional) que vislumbraram “dores” como oportunidades e vêm tomando medidas para aproveitá-las.

Prova disso é que muito se tem pesquisado a título de inovação e tecnologia nas empresas tradicionais e nos meios acadêmicos há algum tempo, mas poucas iniciativas têm obtido sucesso, como, por exemplo, algo repudiado até recentemente: por meio da utilização de aplicativos se gerar rentabilidade em imóveis de estoque próprio com locação. Por outro lado, os investimentos em construtechs (startups de construção) têm evoluído de forma exponencial e os resultados já podem ser observados.

Segundo a consultoria McKinsei, 14% dos postos de trabalho atuais devem simplesmente deixar de existir até 2030. Se considerarmos que o nível de desemprego atual é da ordem de 13% (jan/2019), a situação é preocupante, ainda mais se consideramos que essa taxa dobra entre os jovens de 18 aos 24 anos.

Meu trabalho deixará de existir?

Se também considerarmos que o trabalho do homem vem sendo substituído pela tecnologia desde a invenção da máquina a vapor, uma estratégia continua a valer: migrar para atividades que não possam ser facilmente automatizadas ou, inevitavelmente, embarcar de vez e surfar a onda das tecnologias digitais, fora da zona de conforto e assumindo novos riscos.

Você está em dúvida se o seu trabalho deixará de existir? Dá uma conferida neste site que é bem interessante (em inglês): WILL ROBOTS TAKE MY JOB?

Atividades profissionais de baixo valor agregado nas construtoras e que não devem ser repostas com a retomada do mercado

Tratam-se de atividades de caráter repetitivo ou que não envolvem diretamente criatividade, que já foram ou que estão sendo eliminadas por tecnologias digitais e que, como resultado, estão se esvaziando nos departamentos das construtoras:

1)     Área de Suprimentos

  • Elaboração e emissão manual de cartas-convite para os fornecedores;
  • Elaboração e equalização manual de mapas de cotação para a análise de preços, quantidades, prazos, impostos, condições de pagamentos, retenções;
  • Geração de pedidos ou contratos com a entrada manual de dados.

Tecnologias que já fazem a mesma coisa de modo automatizado: ERP (1), BI (2).

2)     Departamento de Projetos

  • Projetos e compatibilizações multidisciplinares com o AutoCad;
  • Elaboração de cronogramas de atendimento pelos projetistas e cobrança de lista de pendências;
  • Tempo gasto para lidar com conflitos de informações e incompatibilidades de projetos;
  • Impressão, utilização ou arquivamento em meios físicos dos projetos;
  • Controle de emissões ou revisões de projetos e memoriais.

Tecnologias que já dão conta disso: BIM (3), SaaS (4), AR (5).

3)     Área de Qualidade

  • Inspeções, registros de dados e liberações de fichas de verificação de serviços de modo manual;
  • Verificações geométricas em geral: nível, prumo, esquadro; precisão das dimensões x, y, z;
  • Cálculo manual de indicadores de qualidade.

Tecnologias que dão conta do recado: ERP, BI, SaaS, escâneres (6).

4)     Segurança do Trabalho

  • Auditorias em campo para a verificação do uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual);
  • Vistoria de cancelas e guarda corpos provisórios;
  • Cálculo manual de indicadores.

Tecnologias alternativas: IoT (7), RFID (8), drones (9), escâneres.

5)     Planejamento, Programação e Controle de Obras

  • Deslocamentos físicos para visitas e inspeções dos canteiros de obras;
  • Atualização manual do previsto versus o realizado;
  • Obtenção de indicadores em geral (KPI – Key Performance Indicator).

Tecnologias já em uso: SaaS, ERP, BIM, IoT, escâneres, drones, AR.

6)     Departamento de Orçamentos

  • Levantamentos manuais de quantidades de materiais, serviços, equipamentos, insumos e mão de obra;
  • Contato para a obtenção de cotações de preços e condições de pagamentos junto aos fornecedores, ou ações manuais para se obter retroalimentação da própria construtora.

Tecnologias de uso crescente: BIM, ERP, SaaS.

7)     Departamento Pessoal

  • Controle dos cartões ponto;
  • Controle de entrada e saída de pessoal;
  • Controle de exames de funcionários e de programas como o PPRA, PCMAT e os seus prazos de validade;
  • Avaliações de produtividade.

Tecnologias indispensáveis: catraca eletrônica, leitores biométricos, reconhecimento facial, RFID, ERP.

8)     Área Administrativo de obras, de Contabilidade e Financeira

  • Controles de estoques: prazos de validade, distribuição, desperdícios, reposições;
  • Recebimento e conferência de materiais;
  • Lançamento de notas fiscais, contabilizações e conciliações de pagamentos.

Tecnologias que ganham espaço rapidamente: RFID, escâneres, ERP, SaaS.

9)     Assistência Técnica e Manutenção

  • Atendimento de reclamações (telemarketing);
  • Vistoria física prévia para a constatação da reclamação;
  • Agendamentos, controles de execução (prazo, custo, qualidade);
  • Análise de satisfação do cliente.

Tecnologias que estão caminhando: BI, escâneres, ERP, SaaS, AR, Inteligência Artificial.

10)  Recursos Humanos

  • Processamento de folha de pagamento;
  • Movimentações diversas: programação de férias, licenças, promoções, aumentos de salários;
  • Seleções, recrutamentos, contratações e desligamentos de mão de obra.

Tecnologias que já estão deslanchando: SaaS, ERP, plataformas web diversas.

A seguir informações adicionais sobre algumas das tecnologias citadas:

(1)   ERP: Enterprise Resource PlanningSoftware de gestão de empresas que automatiza e integra vários processos de diferentes áreas.

(2)   BI: Business Intelligence. Sistemas e metodologias que integram grande quantidade de dados gerados, antes isolados, para dar suporte aos processos de gestão.

(3)   BIM: Building Information Model. Modelo virtual de projetar empreendimentos que vai além das considerações de geometria e visualização convencionais.

(4)   SaaS: Software as a Service. Modelo de distribuição e comercialização de softwareem que o fornecedor é o responsável por toda a infraestrutura e a segurança do sistema. O cliente utiliza o serviço pela internet e paga por um custo de assinatura mensal na maioria dos casos.

(5)   AR: Augmented Reality. Trata-se da combinação de elementos virtuais (artificiais) em situações e imagens reais. Substitui, por exemplo, a necessidade da criação de maquetes físicas, protótipos, e facilita o entendimento de leigos, inclusive.

(6)   Escâneres. Tecnologia que gera nuvem de pontos 3D para modelagens, levantamentos. Os dados podem ser interpretados e incorporados ao BIM e por outras tecnologias.

(7)   IoT: Internet of Things. Rede de objetos que se comunicam entre si pela coleta e a transmissão de dados por meio da utilização de dispositivos com sensores.

(8)   RFID: Radio Frequency Identification. Tecnologia para o rastreamento e a gestão de ativos diversos de modo automatizado por meio de tags (etiquetas). Esta tecnologia vem sendo empregada também em wearables (vestimentas tecnológicas ou uniformes).

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